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02/04/2014

Coruja

     Ao encontrar-se com um gavião, a mãe-coruja aproveita a amizade com a ave devoradora de filhotes para suplicar clemência por seus filhos.
     — Por favor, "seu" gavião, não coma meus filhinhos.
     — Mas como vou saber quem são seus filhos? — retrucou o gavião.
     — Ora, são os mais belos que puder ver! — devolveu-lhe a coruja.
     O gavião prometeu não comer os "lindos" filhotes da mãe-coruja. Entretanto, ao deparar com seu ninho, não teve duvidas; aqueles filhotes tão feios não poderiam ser os lindos filhos da coruja, e os comeu.
     Aninhar-se-á ali a coruja, e porá os seus ovos, e os chocará, e na sombra abrigará os seus filhotes... (Is 34.15 - ARA)
Ou voa o gavião pela tua inteligência, estendendo as suas asas para o sul? (Jó 39.26)

16/10/2011

A Águia e a Galinha

Leonardo Boff História contada por James Aggrey, político e educador em Gana, numa reunião de lideranças populares, que discutiam os caminhos de libertação do domínio colonial inglês. “Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e rações próprias para galinhas. Embora a águia fosse a rainha de todos os pássaros”. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: __ Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia. De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão. Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração fará um dia voar às alturas. Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: __ Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: __ Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! __ Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: __ Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas. O camponês sorriu e voltou à carga: __ Eu lhe havia dito, ela virou galinha! __ Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: __ Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...” E Aggrey terminou conclamando: __ Irmãos e irmãs! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muito de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos. Voemos como águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar. Texto extraído do Livro “A Águia e a Galinha”

15/10/2011

Perceba o que Você Tem

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua: -Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor tão bem conhece. Poderia redigir o anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu: "Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda". Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio. -Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha. Moral da história: Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos e vamos longe, atrás da miragem de falsos tesouros.

03/02/2010

A Mosca e o Carro

Ia uma mula puxando um carro estava ele pesadíssimo; a estrada era pedregosa e cheia de covas, e a mula suava dobrando de esforço, e tendo em paga as chicotadas do arreieiro. Uma mosca que estava então sobre a cabeça do animal, compadeceu‐se dele e disse‐lhe ao ouvido : "Pobrezinho, vou aliviar‐te do meu peso; agora já poderás puxar o carro."

MORALIDADE. ‐ Quanta gente, tendo a importância da mosca, tem igual presunção?

O Galo e a Pérola

Um galo andava catando em um monturo vermes ou migalhas que comesse. Deu com uma pérola, e exclamou: "Ah se te achara um lapidário! a mim porém de que vales? antes um grão de milho ou algum bichinho." Disse foi‐se buscando por diante seu parco alimento.

MORALIDADE ‐ A riqueza só tem valor para quem a sabe aproveitar.

04/12/2009

A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.
-- Søren Kierkegaard

13/11/2009

Se choras porque não consegues ver o Sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas
-- Tagore

30/03/2009

Uma Flor Horrorosa

O parque estava quase deserto quando me sentei num banco embaixo dos ramos de um velho carvalho, desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois parecia que o mundo estava conspirando contra mim.

Eu queria ficar só, mas, um garoto ofegante se chegou, cansado de brincar, parou na minha frente, cabeça pendente, e, cheio de orgulho, disse-me:
- Veja o que encontrei, e estendeu em minha direção uma flor horrosamente decaída, macetada, nas últimas.

Querendo me ver livre do garoto o quanto antes, fingi um pálido sorriso e tentei iniciar a leitura de um livro de auto-ajuda, mas, ao invés de ir embora, ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e disse:
- O seu cheiro é ótimo. Fique com ela!

Então, estendi minha mão para pegá-la e respondi com ironia:
- Obrigado, menino, essa flor era tudo o que eu precisava para completar o meu dia.

Mas, ao invés de estender o braço, ele manteve a flor no ar, para que eu a pegasse de suas mãos. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego.
- De nada, disse ele sorrindo, feliz por ter feito uma boa ação.

Uma ação tão boa que me fez ver a mediocridade dos meus pensamentos e das minhas atitudes diante dos reveses da vida.




Bem-aventurados os olhos
que vêem o que vós vedes.
Lucas 10.23

Autor desconhecido.
Extraído do livro: Textos Selecionados, elaborado pelo
Instituto de Desenvolvimento do Potencial Humano - IDPH

04/11/2008

Visão de Mundo

Um rato, olhando pelo buraco da parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali. Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira.
Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos: "Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!"
A galinha que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse: "Desculpe-me, senhor Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda".
O rato foi até o cordeiro e disse-lhe: "Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira!"
- "Desculpe-me, senhor Rato, mas não há nada que eu possa fazer a não ser orar; fique tranquilo, o senhor será lembrado em minhas preces".
O rato dirigiu-se, então a vaca e ela disse: "O quê, senhor Rato, uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo ? Acho que não!"
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira pegou a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher.
O fazendeiro levou-a, imediatamente ao hospital; ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre nada melhor que uma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi preparar o ingrediente principal - a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o cordeiro.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral.
O fazendeiro, então, sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se: quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.
Extraído da Revista Tecnologia e Treinamento, no. 25 - CPT - pp 45.

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